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Publicado em 09/10/2018 - 06:27

Por Agência EFE Bali (Indonésia)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou hoje (9) que reduziu para 3,7% a previsão de crescimento da economia global para 2018 e 2019 - em dois décimos percentuais em relação às estimativas feitas em julho.

O motivo da revisão dos números para baixo é a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, países que também tiveram suas perspectivas rebaixadas pelo FMI para o próximo ano.

"O impacto das políticas comerciais e as incertezas estão se tornando mais evidentes em nível macroeconômico, enquanto os dados que são acumulados parecem apontar para um prejuízo de empresas", afirmou Maurice Obstfeld, economista-chefe do FMI, ao apresentar o relatório Perspectivas Econômicas Globais em Bali, na Indonésia, no evento anual da entidade.

Maior economia do mundo, os Estados Unidos crescerão em linha com o esperado em 2018 (2,9%), segundo os cálculos do Fundo, mas em 2019 sua expansão será menor, de 2,5%, dois décimos abaixo do anunciado em julho.

Obstfeld explicou que "a projeção de 2019 dos EUA foi rebaixada devido às sobretaxas aplicadas recentemente em uma ampla categoria de importações da China", assim como às represálias adotadas pelo país asiático.

Para a China, o crescimento de 2018 foi mantido em 6,6% pelas previsões do FMI, mas no ano que vem cairá para 6,2%, também dois décimos a menos que o calculado há três meses.

As revisões para baixo são generalizadas no mundo todo, segundo Obstfeld. "O crescimento mostrou-se menos equilibrado que o esperado", acrescentou.

Em relação ao Brasil, o FMI também estimou crescimento menor que o da última análise - de 1,4% em 2018 e 2,4% em 2019, quatro décimos e um décimo, respectivamente, abaixo dos cálculos de julho.

 

O Fundo justificou a revisão pelo impacto da greve dos caminhoneiros em maio, que afetou praticamente todos os setores da economia, especialmente a indústria e os serviços, e pelas condições externas do mercado financeiro.

O pessimismo dos analistas foi ainda maior em relação à Argentina, cuja economia tinha crescido 2,9% em 2017 e, segundo o FMI, sofrerá queda de 2,6% em 2018.

Outra redução acentuada, de acordo com o FMI, ocorrerá na Turquia, que passará de um crescimento de 3,5% no ano passado, para 0,4% em 2018, após a forte volatilidade da lira.

O conjunto da zona do euro teve suas projeções para 2018 reduzidas em dois décimos, para 2%, devido a "um arrefecimento das exportações, à menor demanda de petróleo devido à alta dos preços e à persistente incerteza em relação ao brexit".